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Artigo: Diário de Internacionalização #01

Diário de Internacionalização #01
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Diário de Internacionalização #01

Já sinto o início da Primavera em Barcelona com as novas flores da estação chegando nas floriculturas. Me fiz o favor de reiniciar as novas plantações na minha varanda depois de um vendaval levar embora todos os legumes que estavam finalmente crescendo. Acordo e podo as flores, transplanto algumas pra vasos maiores, penduro na sacada e rego. Em São Paulo tentei cuidar de um pé de limão siciliano que morreu lutando muito, na varanda que tínhamos de frente pra Marginal Pinheiros. Não que em São Paulo não se possa ter plantas. O problema é que eu vivia num ritmo tão acelerado que não sobrava espaço na minha cabecinha ansiosa pra pensar em como fazer alguma coisa sobreviver no meu apartamento além de mim.

Diário de Internacionalização #01

Amigos e conhecidos que viam eu correndo pra lá e pra cá entre Bom Retiro e Marginal, perguntavam sempre: E como você vai se mudar com a empresa no Brasil? A resposta nunca existiu. Só realmente uma certeza muito grande de que a mudança era pela empresa. Eu não tinha e ainda não tenho a opção de dar errado. E com essa filosofia que a Sage foi crescendo nos últimos 6 anos em terras brasileiras, que então cultivarei do mesmo pensamento pra fazer dar certo aqui fora.

9 meses se passaram desde que pisei em Barcelona pela primeira vez e não fui no Brasil desde então. Também não pretendo ir esse ano. Foi extremamente conturbado os primeiros meses aqui com tanto calor e com os problemas de São Paulo ainda me sufocando quando todo o resto da minha vizinhança e da cidade imploravam pra eu sossegar. E o meu corpo, claro. Depois de longos 6 meses tratando de um transtorno de pânico enquanto a empresa passava pelos seus melhores dias, e eu nem conseguindo ir na esquina pra comemorar num restaurante qualquer, aí você entende porque respirar olhando as plantas agora bate de um jeito diferente.

Grande parte do que hoje faz a Sage caminhar bem e no seu ritmo, é que eu agora consigo ver a ilha de fora. Toda vez que eu me sentia sufocando em São Paulo eu pegava um avião pra ver minha família em outro estado. E antes mesmo de chegar no destino, enquanto o avião ainda subia, eu já era capaz de enxergar cada detalhe que estava acontecendo na minha vida com extrema precisão. Era enxergar a ilha de cima. Literalmente. Todos aqueles prédios que ficavam cada vez menores junto com todos os meus problemas. E assim, agora cabia pensar numa campanha nova, num produto novo, ou simplesmente em quem eu era além da marca. E olhar daqui não foi diferente. Depois que as crises cessaram, os problemas que aconteciam no Brasil chegavam de uma nova forma. Mais distantes, assim, menores. Consequentemente mais fáceis de resolver. Com folga. As caminhadas pelas ruas sem tanta tontura e falta de ar finalmente abriram espaço pra inspirar e me apaixonar pela cidade o suficiente pra então visualizar a marca ganhando seu lugar aqui.

Estamos há menos de 30 dias da nossa nova campanha, que clicarei com muito orgulho em terras espanholas. As novas peças já estão sendo produzidas tanto pra Estoque de Brasil, quanto o Europeu que vem pra cá. E enquanto eu pensava no marketing e na história que eu contaria a partir desse ano, muitas vozes exteriores falavam em alto e bom tom que talvez eu só cresceria aqui mostrando o biquíni brasileiro.

O que me traz uma entrevista que assisti do Alexandre Herchcovitch que ele dizia que não precisava se esforçar tanto pra mostrar que éramos do Brasil se você já era brasileiro. Não era necessário tanto artesanato, palha e crochê. Você nasceu no Brasil e foi criado em terras brasileiras. Já é o satisfatório pra contar sua história pra quem quer que fosse fora dali. Levei isso comigo muito firme, e hoje entendo que por mais que eu esteja reunindo novas histórias pra contar fora do Brasil, ainda serão histórias vistas e vividas por um olhar brasileiro. Com todas as minhas referências culturais de Sul à Nordeste. Seja pra vender uma camisa de linho branca, ou um biquíni.

É então com muito carinho e responsabilidade que anuncio essa largada. Esperando aprender cada vez mais, assistindo os problemas de outra maneira, e respeitando o ritmo de siesta em que hoje estou inserida. Agora mais preparada fisicamente e psicologicamente, afundada apenas em amostras de tecido, pilotos e com as flores como platéia.

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O short que é quase um passaporte
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Diário de Internacionalização #02

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